

Espaço circular, três corpos, objetos semi-esféricos e a construção aleatória conseqüente dessa relação. Continuum explora as possibilidades dinâmicas surgidas da observação da natureza cinética de um objeto, cuja trajetória circular influenciou a movimentação e a construção do espaço, definindo a estética e conceito da obra. A percepção do deslocamento circular constante é o que gera as possibilidades e as características próprias do movimento. Objeto, escolha, aleatoriedade e espaço tornam-se um só corpo híbrido, integrando todos os elementos em um mesmo fluxo contínuo.
Ficha Técnica
Direção e Concepção - Roberto Ramos
Desenvolvimento - Gustavo Ramos e Roberto Ramos
Trilha Sonora - Gustavo Ramos
Design Cênico, Objetos e Instrumentos - Roberto Ramos
Performance - Catalina Cappeletti, Gustavo Ramos e Roberto Ramos
Produção Executiva - Zizi Giraud
Produção Geral - Hálux Produção Cultural
Apoio - Prêmio Funarte Petrobras de Fomento à Dança
Duração
60 minutos
A idéia original de "Continuum" surgiu inicialmente em 1995, com a composição de um solo de curta duração intitulado "Continuum Fragments". Sua versão definitiva foi composta para três performers e produzida em 2005.
“Continuum” explora as possibilidades dinâmicas que o corpo, um objeto e o espaço podem assumir dentro de uma estrutura de movimentação circular e constante em uma área delimitada. Toda a ação está centrada na relação entre o corpo e um objeto semi-esférico, cuja trajetória circular descrita em seqüências continuas de movimento, dita as decisões dos performers numa espécie de jogo de risco.
A área da performance é demarcada por uma linha que descreve um grande círculo. Este desenho fixado ao chão tem como objetivo fazer com que toda a cena se concentre no seu interior, determinando o campo de atuação a um espaço restrito e criando as referências de dimensão, necessárias para construir a estrutura cinética da peça.
A estrutura do trabalho é determinada pelas características cinéticas específicas dos objetos utilizados. Esses objetos, quando impulsionados, descrevem círculos, curvas e espirais, funcionando como medidores de tempo e espaço na composição da cena. Da percepção do deslocamento circular são geradas possibilidades aleatórias, que estimulam o performer a encontrar novas respostas e direções na circunstância a qual está inserido. Assim, forma-se um ciclo, onde o objeto não é apenas um elemento que cria uma forma ou estrutura no espaço, mas também, o causador do próprio movimento do performer. Objeto, corpo, espaço, aleatoriedade e escolha tornam-se um só corpo híbrido, integrando todos os elementos em um mesmo fluxo contínuo.
Dessa forma, o que acontece no espaço externo é apenas uma reação ou reflexo direto da soma dos elementos gerados e visualizados no espaço interno do performer. O processo ocorre através da leitura precisa de todo esse conjunto e das situações de casualidade que se formam, pois embora haja algumas estruturas de organização da peça, o performer não pode definir com certeza, que tipo de resposta ou sequência de movimentos irá realizar, já que o objeto usado na interação desenvolve trajetórias pouco previsíveis. A todo o momento, a escolha de cada performer determina as possibilidades de escolha de todo o grupo. As linhas descritas espacialmente pelo objeto ou pelo corpo são efêmeras, e a todo o momento se diluem no espaço. Cada ação, linha ou forma descrita se dissolve constantemente, dando espaço às próximas que estão por vir, numa estrutura de composição transitória. Assim, a casualidade torna-se um fator constantemente presente, pois ao mesmo tempo em que direciona a construção do trabalho, o qual lida com questões dimensionais e temporais, ela determina sua própria presença por este mesmo processo. A integração do grupo em um mesmo fluxo de movimento circular e contínuo cria a sensação da possibilidade de expansão da ação e do espaço ao infinito.